Autora
Eu tenho dificuldade de escolher favoritos. Automaticamente respondo que gosto de vermelho, mas só até lembrar de que também gosto de branco, e de azul, e de verde, amarelo, laranja e todas as cores por diante. Não faço ideia de como pessoas escolhem filmes, livros, músicas ou mesmo amigos favoritos – pra mim não passa de um grande blefe.
Apesar disso, consigo dizer que gosto de temáticas
históricas e fantasiosas pra filmes e livros. Sou bastante curiosa sobre o
comportamento humano e, por tanto, entre uma procrastinação e um cochilo eu
leio artigos sobre o assunto. Embora eu não seja melhor que o meu cachorro pra
matemática, adoro também tentar entender a natureza pelas descobertas da
ciência, se é que se pode chamar isso de gosto literário. Já pra amigos não tem
esse negócio de gosto, não é?
Confesso não ser fácil pra fazer amigos. Eu converso com
facilidade e não tenho problemas em conhecer mais pessoas, me apego a muitas
delas na verdade, mas tenho um drama mexicano dentro da minha cabeça que sempre
me faz sentir sozinha mesmo quando tudo aponta o contrário. Especialmente se eu
estiver de barriga vazia.
Se o meu café da manhã foi devidamente tomado, sou
relativamente observadora e crÃtica, uma curiosa nata. Já se acordei atrasada e
não consegui tomar o dito café, não espere que eu seja pouco mais do que um
zumbi ou que eu te responda algo mais profundo do que um rosnado. Extremamente
egoÃsta pra comida, luto pelo meu pedaço de brócolis com unhas e dentes –
felizmente poucas pessoas estão dispostas a ganhar mordidas por brócolis.
Aliás, apesar de ser gaúcha eu não vou à churrascarias, tento evitar carne ao
máximo que puder. Também tento evitar leite, mas não por questões éticas, por
alergias, mesmo. Que me levou a parar de tomar café, também, e um motivo extra
pra não beber. Pois é, meu estômago não é legal, culpem a genética.
Mas sim, não como carne exatamente por ser uma chorona com
dó dos animais. Não só por aÃ, mas também por não me achar melhor ou mais forte
que nenhum animal ou ser que habita o universo. Não, sério, eu perderia na
queda de braço contra um gato.
Eu vejo com certa facilidade os dois lados da moeda e ainda
assim sou uma otimista incurável. Acredito que o Brasil vá dar a volta por cima,
que vá reduzir o número de pessoas matando pessoas no mundo, de que a natureza terrestre
pode ser salva e que todos vão conseguir conquistar suas liberdades de serem
quem quiserem, sem ninguém pra lhes apontar o dedo e dizer que tu tá errado
enquanto faz piadas. Talvez não hoje ou semana que vem, mas acredito que vou ver
grandes revoluções até o dia que morrer.
Sou contra nomes, generalizações e estereótipos embora diga
que adore a Irlanda, onde morei por 10 meses. Não que isso me faça alguma
mestre em inglês (pelo contrário, cada dia que passa eu sinto que deveria ter
passado 3 anos pra aprender algo que preste) mas foi o suficiente pra voltar
pro Brasil e dar aulas de inglês enquanto sigo com a minha louca vida entre
trabalho e faculdades de história e artes. Faculdades, no plural – não é
história da arte, é história E artes. “E
como tu faz isso?”, nem ideia. Só sei que no final do semestre deu certo.
Admito que não sou uma leitora tão sedenta quanto gostaria –
adoraria me gabar dos meus 1500 livros mensais lidos e de quão cult eu sou. Mas
não sou. Não sobra muito tempo pra ler entre livros e apostilas da faculdade,
trabalho e procrastinação. E se eu ganhasse 4 horas extras no meu dia eu
orgulhosamente admito que usaria pra comer e dormir. Mas sim, gosto ler e já
tive problemas de saldo negativo por conta das promoções do Submarino, isso não
garante, no entanto, que eu vá escrever posts sem erros estúpidos de ortografia
ou gramática aprendida na 5ª série. Mesmo assim faz parte dos meus planos não
tão distantes escrever livros diversos. Meu editor (se eu conseguir um)
que lide com minhas bombas analfabetas.
Sendo um ser que inevitavelmente acabou adorando a lÃngua
inglesa, tenho planos também de voltar pra um canto das ilhas ao norte da
Europa pra fazer mestrado sobre antropologia cultural. Ou pelo menos eu espero
que acabe escolhendo um paÃs que fale inglês já que qualquer outro idioma eu
teria que começar do zero. E girando ao contrário do mundo, não acho francês
bonito ou tenho vontade de aprender, o que não é bom já que aparentemente vou
precisar saber francês pra entrar numa pós na minha área. E eu já tentei
espanhol pensando em ir pro México, mas sério, é impossÃvel alguém que fale
português nativo ter mais dificuldades do que eu pra aprender espanhol.
Aliás, também faz parte dos meus planos de ter tempo pra continuar minha alfabetização musical da qual luto contra minha preguiça e lentidão pra aprender a tocar violão, tin whistle e gaita de boca (a.k.a. harmônica pra você do norte).
Ah sim! Antes que eu me esqueça, meu nome é Melina, mas
assino aqui como Melian (que nada mais é que um anagrama criado em inúteis
momentos de procrastinações de coisas importantes) e como preciso economizar
meses de salário pra poder viajar, falo na maioria das vezes de Porto Alegre.
Esse é o meu cantinho das frustrações e procrastinações blog e essas são
as coisas que passam pela minha cabeça.
